SOU MESMO ASSIM...

O que sou, só eu sinto... só eu sei.
O que vivi, já passou...
Mas o que vivo acaricia
o refrão das marcas que ousei.
Levo muito dos passos que dei
e o que sei se reconstrói a cada passo que dou.
Sou um pouco do que restou
e muito do que ainda não vivi.
Deixo na partida as respostas que não tenho
e os sonhos que em mim se fizeram.
Sou gigante quando quero!
Só eu sei o que de mim esperam,
mesmo sendo sensível enquanto amadureço...
Um ser de infinita grandeza a cada recomeço.
Tenho nas manhãs um novo instante
que desconheço.
Prossigo confiante,
enquanto não adormeço...
Também não me surpreendo se tropeço.
Pois, assim são os sinais do desaconchego.
Já me senti pedra lapidada pelas veredas do desconhecido.
Contracenando eufórica, fui obra de arte refeita em segundos...
Diva de um mundo apetecido.
A cada toque dessa passagem, me sensibilizo
e, por vezes, me refugio.
Mas é no relance das estações que vou levantando poeira,
almejando risos
e ultrapassando fronteiras!
Nesse voo indeterminado,
repouso na razão dos dias que me são dados.
Sou pequena colecionadora de emoções que pensa ter asas.
Maior que a minha vontade é a lucidez ao qual o meu olhar alcança.
Junto à realidade,
sou um ser na tempestade
cuja presença, o tempo invade
enquanto o vento balança.
Sou mesmo assim, pequena e indefesa.
Mas, de alegria acesa
sinto-me eterna criança.

AROMA DE ORVALHO
02/06/2018
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